A vaca foi para o brejo

vaca ir para o brejo

Oi, pessoal!

Vocês conhecem expressão brasileira “a vaca foi para o brejo”? O brejo é um terreno alagadiço, lodoso, também denominado pântano. Em tempos difíceis e de seca, o gado vai em direção a brejos ou terrenos alagadiços, pantanosos, à procura de água.

Quando uma vaca vai para o brejo, acaba dando muito trabalho para ser removida, pois fica completamente atolada e pode até morrer, daí a expressão ter adquirido uma conotação negativa, indicando uma situação difícil e ruim ou que não se concretiza.

Exemplo:

Com a crise econômica, o nosso projeto de ir para a Itália no próximo ano foi para o brejo.

Variante: A vaca foi para o brejo de corda e tudo. 

Até breve e bons estudos!

Cláudia V. Lopes

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Origem do vocábulo “sincero”

Olá, pessoal!

O adjetivo “sincero” talvez sejam um dos mais usados pelos falantes do português, pois está presente em várias expressões, tais como: “para ser sincero/a”, “estou sendo sincero/a com você”, ou até mesmo em sua forma adverbial “sinceramente falando”, etc. Uma pessoa sincera é uma pessoa que fala o que sente, sem dissimular, sem artimanhas e sem esconder nada do outro. Mas qual é a sua origem?

sine cera

(créditos da imagem – strength4thejourney)

De acordo com estudos etimológicos, o vocábulo “sincero”, presente em várias línguas modernas, deriva da união de dois vocábulos latinos: sine e cera > sincerus, ou seja, sem mistura, por extensão: leal, franco, verdadeiro. Acredita-se, porém, que se tenha originado partir de um antigo hábito que alguns escultores desonestos de Roma tinham: passava-se uma cera especial em esculturas de mármore, a fim de esconder eventuais imperfeições e defeitos do próprio material, enganando, desse modo, os compradores.

Com o tempo, as pessoas que compravam as esculturas davam-se conta das imperfeiçoes e descobriam que tinham sido realizadas “cum cera“. O senado romano teria, então, decretado uma leia que obrigava que todas as esculturas fossem vendidas “sine cera“, isto é, sem cera, sem trapaça, dando origem ao vocábulo “sincero”.

Contudo, existe uma outra versão para a sua origem: os romanos, pelo que sabemos, apreciavam muito certos vasos que eram fabricados com uma cera tão pura e perfeita que os tornavam transparentes, sendo possível distinguir alguns objetos colocados dentro deles.

Não importa qual seja a versão mais confiável, o fato é que, com o passar dos séculos, o vocábulo começou a ser usado com a conotação que conhecemos hoje.

Até breve e bons estudos!

Cláudia V. Lopes

 

MAS e MAIS: quando usá-los?

Olá, pessoal!

Uma das dúvidas mais comuns da língua portuguesa (falada no Brasil) relaciona-se ao uso de “mas” e “mais“, que pertencem a classes gramaticais diferentes: mas é uma conjunção adversativa, que nos dá ideia de oposição, e pode ser substituída por “contudo”, “todavia”, “entretanto”, etc.; mais é um advérbio de intensidade/quantidade; oposto de menos.

No português brasileiro, a distinção fonética entre um é outro é mínima ou nula, pois os falantes tendem a pronunciar “mas” [mais], praticamente como pronunciam “mais” [mais]. No português europeu, isso não acontece, simplesmente porque a conjunção mas é pronunciada [mɒs], determinando, desse modo, a distinção fonética em relação ao advérbio mais.

Prestem atenção nos exemplos:

mas e mais_1

Exemplos com “mas” e “mais” juntos na mesma frase:

a) Queria comer mais sorvete de limão, mas acabou.

b) No próximo domingo tenho uma festa, mas terei que ir embora mais cedo: tenho uma prova de português na segunda-feira.

Até breve e bons estudos!

Claudia V. Lopes

O significado das coisas – Amor platônico

O amor platônico é a forma mais romântica e sublime de amor que possa existir, pois elimina completamente o aspecto físico e sensual para se concentrar apenas na alma. Essa expressão tão conhecida nasce a partir de uma teoria de Platão. Todavia, o termo amor platonicus como sinônimo de amor sacraticus foi cunhado por Marsílio Ficino (1433 – 1499), filósofo, astrólogo e o maior representante do Humanismo florentino.

amor platonico

(Detalhe, Madona Sistina – Raffaello Sanzio)

Em ambos os casos, trata-se de um amor que não há nada de físico, mas de espiritual, que se aproxima da perfeição divina. Como podemos perceber, a expressão que se tornou popular por indicar a ausência do amor carnal tem, na realidade, um valor muito mais profundo. Na língua corrente, esse tipo de amor é entendido como amor a distância, ou seja: não podemos nos aproximar do ser amado, não o podemos tocar, mas somente idealizá-lo como imagem de perfeição divina.

Platão (em grego antigo: Πλάτων, transl. Plátōn, "amplo", Atenas, 428/427 – Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. (Wikipédia)
Algumas frases de amor de Platão
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(créditos: petaladerosa)

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele.”

“Só pelo amor o homem se realiza plenamente.”

“Quem ama extremamente, deixa de viver em si e vive no que ama.”

“Todo homem é poeta quando está apaixonado.”

“O amor é a busca do todo.”

Até breve e bons estudos!

Cláudia V. Lopes

 

Sobre o porque e outros porquês

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Olá, pessoal!

Se entender o uso dos “porquês” é uma problema para os falantes de língua portuguesa, imaginem com será para os estrangeiros que a estão estudando! O uso dos “porquês” sempre foi um assunto muito complexo, pois suscita sempre muitas dúvidas na hora de usá-los. O que tenho visto por aí, sobre tudo nas redes sociais, é que cada um adota a forma que mais lhe convém, que é quase sempre “pq” (forma abreviada que abarca todos os porquês). Porém, vamos tentar entender juntos quais são as principais diferenças e quando devemos usar cada uma deles.

Leiam o trecho abaixo, tirado do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, em que é possível ver quatro “porquês” consecutivos:

“— Estou muito zangada com o senhor. — Dizia ela.
Por quê?
Por que… Não sei por quePorque é minha sina… Creio que às vezes que é melhor morrer.
Tinham penetrado numa pequena moita: Era lusco-lusco; eu segui-os. O Vilaça levava nos olhos umas chispas de vinho e de volúpia.
— Deixe-me, disse ela.
— Ninguém nos vê. Morrer, meu anjo? Que ideias são essas! Você sabe que morrerei também… Que digo?… Morro todos os dias, de paixão, de saudades…!”

machado-de-assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas (Capítulo XII)
Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional.

Prestem atenção!

1) “Por que” separado tem dois empregos:

a) se houver a união da preposição “por” + pronome interrogativo ou indefinido “que” terá significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”:

– Por que (por qual motivo, razão) você não veio ontem à universidade?

Não sei por que (por qual motivo, razão) estou tão cansada

b) se houver a união da proposição “por” + pronome relativo “que” terá o significado de “pelo qual”:

– As cidades por que (pelas quais*) passamos eram realmente belíssimas. 

* pelo qual, pelos quais, pela qual, pelas quais.

2) “Por quê” quando usado antes de um ponto (final, interrogativo, exclamativo) deverá ser acentuado, com o significado de “por qual motivo”, “por qual razão”:

 Vocês não saíram ontem? Por quê? (por qual motivo, razão)

 3) “Porque” é uma conjunção causal com valor aproximado de “pois”, “uma vez que”:

– Não viajamos porque estávamos sem dinheiro. (pois; uma vez que)

– Carla não quis sair porque estava cansada. (pois; uma vez que)

4) Porquê é um substantivo com significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral:

– Não entendo o porquê dessa sua tristeza. (o motivo, a razão)

– Dê-me um porquê para não conversarmos agora. (uma razão, um motivo)

Até breve e bons estudos!

Claudia V. Lopes

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