Para sempre – Carlos Drummond de Andrade

 

para sempre

Olá, pessoal!

No nosso post de hoje, apresentamos a vocês um dos maiores e mais influentes poetas brasileiros chamado Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 – Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). Drummond, como todos os modernistas, soube proclamar a liberdade das palavras, uma liberdade idiomática capaz de criar modelos não convencionais.

Escolhemos um poema muito especial intitulado “Para sempre”, que fala sobre a eternidade das mães, acompanhado do vídeo em que o próprio poeta o declama.

Para sempre

Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
– Mistério profundo –
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho.

Bons estudos e até breve!

Cláudia V. Lopes

A estrutura da frase na língua portuguesa

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Olá, pessoal!

No nosso post de hoje, estudaremos um pouco sobre a estrutura da frase na língua portuguesa, que talvez seja um dos pontos mais críticos não só para estrangeiros, mas também para falantes de português. Aprender os diferentes tempos e modos verbais não é difícil, e tenho certeza de que muitos de vocês sabem as conjunções de cor e salteado. O problema apresenta-se, quando temos que combiná-los com coerência e coesão, sobretudo num texto escrito.

Antes de tudo, é importante que vocês saibam que a língua portuguesa é considerada uma língua SVO, que é a sigla que indica uma estrutura oracional do tipo sujeito-verbo-objeto: o sujeito surge primeiro, seguido do verbo e, por último, do objeto. Vale ressaltar que mais de 75 % das línguas do mundo seguem essa estrutura, sendo, por isso, uma das mais comuns. No alemão, latim, japonês e em algumas outras línguas a estrutura mais comum é a SOV (sujeito, objeto, verbo).

Para que possamos iniciar os nossos estudos, vamos primeiro entender alguns termos que nos acompanharão daqui para frente.

Frase, período, oração:

Embora haja numerosas definições para o termo “frase“, adotaremos apenas um, tentando desambiguá-lo, sempre que possível, em relação aos seus sinônimos, nem sempre perfeitos, “período” e “oração“.

A frase é a reunião de palavras que forma sentido completo e estabelece comunicação. Além disso, pode “expressar um juízo, indicar uma ação, estado ou fenômeno, transmitir um apelo, uma ordem ou exteriorizar emoções” (Othon M. Garcia). A frase, no português, é geralmente estruturada a partir de dois termos essenciais: sujeito e predicado. Todavia, existem orações ou frases sem sujeito: na frase “saímos”, por exemplo, o sujeito é classificado como implícito, embora a terminação do verbo nos diga, claramente, que se trata da primeira pessoa do plural “nós” do verbo “sair”. O que significam os termos sujeito e predicado?

  • sujeito é o termo da oração sobre o qual se anuncia algo e que concorda com o verbo em número e pessoa;
  • predicado é o elemento da oração que declara algo sobre outro, que é exatamente o sujeito.

De qualquer forma, é muito importante entendermos qual é o núcleo significativo da declaração: se estiver no verbo, teremos predicado verbal; se estiver em algum nome, teremos predicado nominal, típico das frases que possuem um verbo de ligação (ser, estar, andar, ficar, etc.):

a) Os meninos jogam carta. (predicado verbal – o sujeito é “os meninos”, que concorda em numero e pessoa com o verbo “jogar”. O predicado é “jogam carta“; núcleo “jogam“);

b) Ana é africana. (predicado nominal – o sujeito é “Ana”; a declaração referente à “Ana” é “é africana“; núcleo “africana“).

Para que uma frase seja considerada uma oração é necessário que o enunciado tenha sentido completo e que tenha verbo ou locução verbal:

  • Os estudantes acabaram de fazer a prova de matemática.
  • Estou fazendo o possível para terminar logo.
  • Convém que te apresses – (há duas orações em relação de subordinação, mas só uma frase).
Temos uma locução verbal quando dois ou mais verbos têm valor de um, expressão que é sempre composta por verbo auxiliar + verbo principal: está estudado = estuda; ia falando = falava.

A oração pode ser, em alguns casos, sinônimo de frase e período simples, quando exprime um pensamento completo que termina com um sinal de pontuação: ponto final (.), ponto de exclamação (!), ponto de interrogação (?).

Sobre esses pontos mais complexos, falaremos no próximo post.

Até breve e bons estudos!

Claudia V. Lopes

Após ou depois?

 

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Olá, pessoal!

No nosso post de hoje, iremos estudar algumas diferenças entre o advérbio “depois” (de + latim post) e a preposição “após” (do latim ad+post), bem como entender em que contextos podem ser usados em modo distinto, como sinônimos ou, até mesmo, substituídos por outros termos. Num modo geral, ambos são usados indiscriminadamente na fala, embora convenha adotar uma padronização em situações mais formais, sobretudo na escrita, como veremos a seguir:

a) após é usado para indicar posterioridade no espaço:

A secretaria da hospital fica após o centro de pediatria.
A prefeitura fica após a escola.
O acidente aconteceu após aquela curva perigosa.

b) depois (seguido ou não da preposição “de“) é usado para indicar posterioridade no tempo:

– Por favor, tome os comprimidos depois das principais refeições.

– Podemos conversar depois?

– Depois de terminar a graduação, fará uma longa viagem pela Europa.

– Chegamos duas horas depois.

Deve-se EVITAR, porém, o uso de APÓS antes das formas nominais do verbo (infinitivo ou particípio):

- Coma somente depois de lavar as mãos.
- Qualquer medicamento perde a validade depois de aberto.

É preciso ter em mente que após é uma preposição e sua união com a preposição “a” gera redundância, por isso, é ERRADO dizer “após ao centro de pediatria“! E não devemos esquecer, também, que depois é um advérbio de tempo, razão porque é mais apropriado usá-lo come elemento que modifica o verbo: “dormirei agora e estudarei depois“, e não após.

Expressões consagradas com após:

Ano após ano; dia após dias.
Alguns casos de sinonímia e substituição

a) após/depois de (em sentido temporal):

Gosto de sentir o perfume de terra molhada após a chuva/depois da chuva.
Adormeceu, após alguns minutos/depois de alguns minutos.

b) após, atrás de, em seguida a (em sentido espacial):

Carlos sentou-se após a terceira fileira/atrás da terceira fileira/em seguida à terceira fila.

c) após/atrás de si:

Ela passou deixando após o rastro do seu perfume/atrás de si o rastro do seu seu perfume.

d) depois (de), atrás (de), detrás (de):

O teatro que vocês procuram fica depois/atrás/daquela daquela praça.

e) depois, além disso, ademais:

Nada falaria sobre sua vida privada, depois/além disso/ademais, isso não vinha ao caso.

Naturalmente, as informações contidas neste post não são exaustivas, cabendo, portanto, ao estudante consultar o dicionário ou uma boa gramática, sempre que houver dúvidas.

Até breve e bons estudos!

Claudia V. Lopes

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