Falamos todos a mesma língua?

Ontem, tomei o mata-bicho, meti-me num machimbombo e fui ver o Tejo. 

Precisava de sozinhar-me, como diria o escritor Mia Couto. Não levei comigo nem a minha garina. 

Na minha pasta, tinha um pacote de mancarras (adoro alcagoitas!) e um suco de manga para o meu café da tarde, embora faltasse café, pois todos os cafés estavam fechadinhos. Normalmente, bebo um café sem ponta, mas naquela tarde não tomei nenhum. 

5 de maio: dia da Língua Portuguesa

«Quero saçaricar em liberdade! », gritava. Mas quem me ouvia? Tinha-me sozinhado, ninguém me ouvia. 

Os bondes andam vazios, já não há bichas (pera aí?) de turistas esperando pelo número vintchioito

Resolvi comprar uma garrafa de vinho e partilhá-la comigo mesmo. Acabei por me bicar, como é de se esperar. E fiquei a pensar: sou ou estou bêbado? É uma pena as outras línguas não fazerem distinção nenhuma. 

Depois, bebi outra gelada, mas já não tinha jingubas para comer. 

Porém, tenho esta língua, tão labirinticamente amalucada e tão bela, com a qual me translado de um lado para outro do mundo. E sonho em todos os sotaques. E posso ter em mim todas as pronúncias. Tenho a liberdade de usar a norma que quero, porque esta língua não é a minha pátria, mas é, sim, a minha mátria. Já tinha pátria. Faltava-me uma mátria. Encontrei-a há sete anos e nunca mais a larguei. Todos precisamos de ter uma mátria. E a minha mátria é a língua portuguesa. 

Um abraço e até breve!

Matteo Pupillo 

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