A vaca foi para o brejo

vaca ir para o brejo

Oi, pessoal!

Vocês conhecem expressão brasileira “a vaca foi para o brejo”? O brejo é um terreno alagadiço, lodoso, também denominado pântano. Em tempos difíceis e de seca, o gado vai em direção a brejos ou terrenos alagadiços, pantanosos, à procura de água.

Quando uma vaca vai para o brejo, acaba dando muito trabalho para ser removida, pois fica completamente atolada e pode até morrer, daí a expressão ter adquirido uma conotação negativa, indicando uma situação difícil e ruim ou que não se concretiza.

Exemplo:

Com a crise econômica, o nosso projeto de ir para a Itália no próximo ano foi para o brejo.

Variante: A vaca foi para o brejo de corda e tudo. 

Até breve e bons estudos!

Cláudia V. Lopes

O significado das coisas – Amor platônico

O amor platônico é a forma mais romântica e sublime de amor que possa existir, pois elimina completamente o aspecto físico e sensual para se concentrar apenas na alma. Essa expressão tão conhecida nasce a partir de uma teoria de Platão. Todavia, o termo amor platonicus como sinônimo de amor sacraticus foi cunhado por Marsílio Ficino (1433 – 1499), filósofo, astrólogo e o maior representante do Humanismo florentino.

amor platonico

(Detalhe, Madona Sistina – Raffaello Sanzio)

Em ambos os casos, trata-se de um amor que não há nada de físico, mas de espiritual, que se aproxima da perfeição divina. Como podemos perceber, a expressão que se tornou popular por indicar a ausência do amor carnal tem, na realidade, um valor muito mais profundo. Na língua corrente, esse tipo de amor é entendido como amor a distância, ou seja: não podemos nos aproximar do ser amado, não o podemos tocar, mas somente idealizá-lo como imagem de perfeição divina.

Platão (em grego antigo: Πλάτων, transl. Plátōn, "amplo", Atenas, 428/427 – Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. (Wikipédia)
Algumas frases de amor de Platão
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(créditos: petaladerosa)

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele.”

“Só pelo amor o homem se realiza plenamente.”

“Quem ama extremamente, deixa de viver em si e vive no que ama.”

“Todo homem é poeta quando está apaixonado.”

“O amor é a busca do todo.”

Até breve e bons estudos!

Cláudia V. Lopes

 

Momento poético – Florbela Espanca

FLORBELA-ESPANCA-POEMAS

(créditos da imagem – Conti outra)

Olá, pessoal!

O nosso post de hoje é um pouco diferente do habitual, pois não falaremos de gramática, mas, sim, de poesia. Escolhemos uma das mais expressivas poetisas portuguesas do século passado chamada Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 – Matosinhos, 8 de dezembro de 1930), pseudónimo de Florbela d’Alma da Conceição Espanca. Florbela viveu uma vida plena mas breve, cheia de sofrimentos pessoais e íntimos, que ela soube, como ninguém, transformar em poesia de alto nível, permeada de erotização, feminilidade e panteísmo. Os seus temas preferidos eram a solidão, a tristeza, a morte, a saudade, a sedução e o desejo. A sua obra é vastíssima, pois a nossa poetisa não escreveu somente poemas, mas contos, um diário, epístolas. Dedicou-se, também, à tradução de vários romances, colaborando, ao logo de sua vida, com revistas e jornais. Contudo, Florbela era, antes de tudo, poetisa de versos em forma de sonetos.

Escolhemos para vocês alguns dos tantos poemas de Florbela Espanca. O primeiro, “Tédio” é interpretado por Mariza, uma das vozes mais expressivas do atual cenário musical português. Boa leitura!

Tédio
Passo pálida e triste. Oiço dizer
“Que branca que ela é! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer…

Que diga o mundo e a gente o que quiser!
-O que é que isso me faz?… o que me importa?…
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!

O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E é tudo sempre o mesmo, eternamente…
O mesmo lago plácido, dormente dias,
E os dias, sempre os mesmos, a correr…

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Desejos vãos 

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!

Mas o mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras… essas… pisá-as toda a gente!…
Florbela Espanca – Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não es sequer razão do meu viver,
Pois que tu es já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo , meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu es como Deus: Princípio e Fim!…”

Pequena Biografia

Em novembro de 1903, aos sete anos de idade, Florbela escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte». Ainda no mesmo ano, Florbela começa a escrever uma poesia sem título, o seu primeiro soneto.

Sofrendo de neurastenia, desde muito jovem, escreve em 1906 o seu primeiro conto, «Mamã!».

Numa festa do colégio, Florbela recita, pela primeira vez, versos seus em público. É no ano seguinte que Florbela inicia o seu caderno «Trocando Olhares».

Na sequência do seu divórcio e já debilitada pela sua doença, em 1919, Florbela publica o «Livro de Mágoas». No ano seguinte inicia «Claustro das Quimeras».

Em 1923, Florbela vê publicado o «Livro de Soror Saudade».

Em 1927 publica oito trabalhos seus, e prepara «O Dominó Preto». Após a morte do seu irmão assoberbada pela tristeza escreve «As Máscaras do Destino».

Em 1930, começa a escrever o seu «Diário do Último Ano» e publica «Charneca em Flor».

Depois de uma vida conturbada, a 8 de dezembro, dia do seu nascimento e do primeiro casamento, Florbela suicida-se.

Até breve e boa leitura!

Capoeira – um esporte genuinamente brasileiro

Em tempos de olimpíadas, vale a pena falar de um dos esportes mais genuinamente brasileiros, isto é, a capoeira, uma luta criada pelos descendentes de escravos de origem africana que nasceram no Brasil. No exterior, é também conhecida como “brazilian martial art” ou arte marcial brasileira.

capoeira wikipedia

(créditos da imagem – Wikipédia)

O termo capoeira significa “mato que nasce depois do desmatamento”, talvez porque fosse praticada no meio dos matos, com os lutadores/escravos bem próximos do chão, para não serem descobertos por seus donos e senhores. Em poucas palavras, esses seres humanos escravizados se defendiam da opressão e da injustiça que sofriam.

Originalmente, a capoeira era uma luta lenta jogada bem próxima ao chão, como já foi dito anteriormente, diversa daquela que é ensinada hoje nas academias de todo o mundo ou jogada nas praias, conhecida, também, como capoeira regional. Esta apresenta movimentos mais acrobáticos e é jogada em pé, com regras especificas de uma modalidade esportiva. Em meados do século XX, houve uma ruptura e, logo, se verificou o retorno à prática da copeira angolana jogada, sobretudo, nos guetos baianos.

berimbau-parts

Berimbau

Uma condição muito importante para se jogar a capoeira é a música de ritmo constante tocada por membros da roda, que precisam responder ao canto denominado “ladainha”. As ladainhas são acompanhadas, em geral, por alguns instrumentos, como, por exemplo: berimbau, pandeiro, atabaque, caxixi, agogô e reco-reco.

Instrumentos Capoeira

Roda de capoeira na praia de Boa Vontade, Rio grande do Norte:

Até logo e bons estudos!

Vamos aprender as horas?

Olá, pessoal!

Hoje (oggi) iremos aprender (imparare) a perguntar e dizer as horas na língua portuguesa. Se há uma coisa (se c’è una cosa) que todos nós fazemos (facciamo) com frequência é perguntar “que horas são?“, não é mesmo? Então, prestem atenção (fate attenzione)!

 

  • Que horas são?
  • São três e vinte.
  • Já? Estou muito atrasado!

Hora certa:

4 em ponto

São quatro horas.
São quatro.
São quatro certas (PT)/em ponto (PB).

uma hora

É uma hora.
É uma hora da tarde.
É uma hora da manhã/da madrugada.

meio-dia

É meio-dia.
É meia-noite.

Minutos que passam da hora certa:

tres e quinze

São três e quinze.
São três e um quarto.
Passam quinze minutos das três. (PT)

uma e meia

É uma e meia.
É uma e trinta.
Passam trinta minutos do meio-dia. (PT)

Minutos que faltam para a hora certa:

10 para a duas

Faltam dez para as duas.
São dez para as duas.
É uma e cinquenta.
É uma menos dez. (PT)

ERRATA: desculpem, mas no áudio a leitura saiu trocada: 

São duas e cinquenta.
São duas menos dez. (PT)

Algumas expressões e locuções com o vocábulo tempo:

1 – Perder tempo – desperdiçar tempo trabalhando devagar ou de modo improdutivo;

2 – Não ter tempo nem para se coçar – estar muito ocupado;

3 – Tempo das vacas gordas – tempo da prosperidade;

4 – Em dois tempos – de modo muito rápido.

Até breve e bons estudos!

 

 

 

 

 

Tirar o cavalinho (cavalo) da chuva

È un’espressione tuttora molto usata  in Brasile e in Portogallo che significa “desistere dal fare qualcosa”. La spiegazione rimonta ai vecchi tempi, in cui il cavallo era il principale mezzo di trasporto. Di solito, quando si andava a fare visita a un amico, e non si aveva intenzione di trattenersi a lungo, si lasciava l’animale senza protezione di fronte alla casa (segno di permanenza breve). Tuttavia, succedeva spesso che al padrone di casa piacesse la chiacchierata, obbligando, letteralmente, l’amico a mettere il cavallo al riparo, cioè “tirar o cavalinho/cavalo da chuva“: in poche parole “desistere dall’intenzione di andarsene”. Poi il significato del termine si è stesso passando a significare “desistere da un qualsiasi proposito o intento”.

(la traduzione letterale sarebbe “togliere il cavallo/cavallino dalla pioggia”)

 

cavalo  

– Mamãe, posso sair hoje com as minhas amigas?  

– Mamma, posso uscire oggi con le mie amiche?

 

– Pode tirar o cavalinho da chuva! Hoje é quinta-feira e amanhã você tem escola. – Non se ne parla proprio! Oggi è giovedì e domani hai scuola.

 Arrivederci e buono studio!

 

 

 

 

A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar

conteur africain

A Lua tinha uma filha branca e em idade de casar. Um dia apareceu-lhe em casa um monhé pedindo a filha em casamento. A lua perguntou-lhe:

— Como pode ser isso, se tu és monhé? Os monhés não comem ratos nem carne de porco e também não apreciam cerveja… Além disso, ela não sabe pilar

O monhé respondeu:
– Não vejo impedimento porque, embora eu seja monhé, a menina pode continuar a comer ratos e carne de porco e a beber cerveja… Quanto a não saber pilar, isso também não tem importância pois as minhas irmãs podem fazê-lo.

A lua, então, respondeu:
– Se é como dizes, podes levar a minha filha que, quanto ao mais, é boa rapariga.

O monhé levou consigo a menina. Ao chegar a casa foi ter com a sua mãe e fez-lhe saber que a menina com quem tinha casado comia ratos, carne de porco e bebia cerveja, mas que era necessário deixá-la à vontade naqueles hábitos. Acrescentou também que ela não sabia pilar, mas que as suas irmãs teriam a paciência de suprir essa falta.

Dias depois, o monhé saiu para o mato à caça. Na sua ausência, as irmãs chamaram a rapariga (sua cunhada) para ir pilar com elas para as pedras do rio e esta desatou a chorar.

Pilon

(wikipédia – Grupo de mulheres em Cabo Verde, utilizando um pilão)

As irmãs censuraram-na:
– Então tu pões-te a chorar por te convidarmos a pilar?… Isso não está bem! Tens de aprender porque é trabalho próprio das mulheres.

E, sem mais conversas, pegaram-lhe na mão e conduziram-na ao lugar onde costumavam pilar.
Quando chegaram ao rio, puseram-lhe o pilão na frente, entregaram-lhe um maço e ordenaram que pilasse.

200px-Pilão

A rapariga começou a pilar mas com uma mágoa tão grande que as lágrimas não paravam de lhe escorrer pela cara. Enquanto pilava, ia-se lamentando:
– Quando estava em casa da minha mãe, não costumava pilar… Ao dizer estas palavras, a rapariga, sempre a pilar e juntamente com o pilão, começou a sumir-se pelo chão abaixo, por entre as pedras que, misteriosamente, se afastavam. E foi mergulhando, mergulhando… até desaparecer.

(pilão africano – Wikipédia)

Ao verem aquele estranho fenómeno, as irmãs do monhé abandonaram os pilões e foram a correr contar à mãe o que acontecera. Esta ficou assustada com a estranha novidade e tinha o coração apertado de receio, quando chegou o monhé, seu filho.
Este, ao ouvir o relato do que acontecera à sua mulher, ralhou com as irmãs, censurando-as por não terem cumprido as suas ordens. Apressou-se a ir ter com a Lua, sua sogra, para lhe dar conta do desaparecimento da filha.

A lua, muito irritada, disse:
– A minha filha desapareceu porque não cumpriste o que prometeste. Faz como quiseres, mas a minha filha tem de aparecer!
– Mas como posso ir ao encontro dela se desapareceu pelo chão abaixo?

A lua mudou, então, de aspecto e, mostrando-se conciliadora, disse:
– Bom, vou mandar chamar alguns animais para se fazer um remédio que obrigue a minha filha a voltar… Vai para o lugar onde desapareceu a minha filha e espera lá por mim.

O monhé foi-se embora e a lua chamou um criado ordenando:
– Chama o javali, a pacala, a gazela, o búfalo e o cágado e diz-lhes que compareçam, sem demora, nas pedras do rio onde desapareceu a minha filha.

O criado correu a cumprir as ordens e os animais convidados apressaram-se para chegar ao lugar indicado. A lua também para lá se dirigiu com um cesto de alpista. Quando chegou ao rio, derramou um punhado de alpista numa pedra e ordenou ao porco que moesse.

O porco, enquanto moía, cantou:
– Eu sou o javali e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!

Nesse momento ouviu-se a voz cava da menina que, debaixo do chão, respondia:
Não te conheço!
O javali, despeitado, largou a pedra das mãos e afastou-se cabisbaixo. Aproximou-se em seguida a pacala e, enquanto moía, cantou:
– Eu sou a pacala e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!

Ouviu-se novamente a voz da menina que dizia:
– Não te conheço!
A gazela e o búfalo ajoelharam também junto do moinho, fazendo a sua invocação, mas a menina deu a ambos a mesma resposta:
– Não te conheço!

Por último, tomou a pedra o cágado e, enquanto moía, cantou:
– Eu sou o cágado e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!

CAGADO

A menina cantou, então, em voz terna e melodiosa:
– Sim, cágado, à tua voz eu vou aparecer!…

E, pouco a pouco, a menina começou a surgir por entre as pedras do rio, juntamente com o pilão, mas sem pilar. Quando emergiu completamente parou e ficou silenciosa.

Os animais juntaram-se todos, curiosos, à volta da menina
Então, a lua disse:
– Agora a minha filha já não pode continuar a ser mulher do monhé, pois ele não soube cumprir o que me prometeu. Ela será, daqui para o futuro, mulher do cágado, pois só à sua voz é que ela tornou a aparecer.

Então o cágado levantou a voz dizendo:
– Estou muito feliz com a menina que acaba de me ser dada em casamento e, como prova da minha satisfação, vou oferecer-lhe um vestido luxuoso que ela vestirá uma só vez, pois durará até ao fim da sua vida. E, dizendo isto, entregou à menina uma carapaça lindamente trabalhada, igual à sua.

Da ligação do cágado com a filha da lua é que descendem todos os cágados do mundo…

Escutem a narração do conto!

Glossário:

monhé – mozambicano che professa l’islamismo

menina – ragazzina

podes levar – puoi portare

pilar – pestare

foi ter com a sua mãe – è andato a parlare con sua madre

quanto ao mais – inoltre

deixá-la à vontade – farla stare a suo agio

suprir essa falta – suprire questa mancanza

rapariga – ragazza

desatou a chorar – si è messa a piangere

um punhado de alpista – una manciata di becchime

moer – macinare, pestare

não te conheço – non ti conosco

voz cava – voce grave, rauca 

voz tenra – voce tenera

pilão – pestello

mágoa – tristezza, dolore

começou a sumir-se pelo chão abaixo – ha iniziato a scomparire lungo il terreno sottostante

pacala – grande antilope di Mozambico e di Angola della famiglia di bovini

punhado de alpista – una manciata di becchime.

moesse – pestasse, macinasse 

daqui para o futuro – d’ora in poi

não te conheço – non ti conosco 

carapaça – corazza

cágado – tartaruga

Até breve e boa leitura!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

La leggenda della sirena Iara

Iara o Uiara, anche denominata Mãe-d’água (Madre dell’acqua), è una creatura acquatica del folklore brasiliano, con l’aspetto di donna nella parte superiore del corpo e di pesce in quella inferiore, dotata di una bellezza molto affascinante e seducente. Attira facilmente a sé gli uomini tenendo le parti superiori fuori dell’acqua, stregandoli con il suo bel viso e le sue dolci canzoni magiche.

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(crediti: web)

La sua forza di seduzione è così potente che basta uno sguardo, un richiamo e gli uomini vanno dritto al suo incontro. Infatti, loro credono che vivranno delle esperienze d’amore allucinanti e sfrenate con l’incantevole donna. Tuttavia le intenzioni di Iara sono maligne e mortali, quello che vuole, in verità, e trarli verso la morte. Sono pochi quelli che riescono a scampare all’incantesimo dell’affascinante sirena, tanti impazziscono dopo essere stati stregati da lei. Soltanto uno sciamano (pajé) o un guaritore (curandeiro) possono farli guarire in modo permanente.

Dice la leggenda che, prima di diventare una sirena, Iara era una bella e coraggiosa indigena, la cui bravura suscitava l’invidia degli altri nella tribù, in specie quella dei suoi fratelli. Suo padre era uno sciamano e apprezzava tutto quello che Iara faceva, aumentando ancor di più la rivolta dei suoi fratelli che, sopraffatti dall’invidia e dalla gelosia, decisero di ucciderla.

Una sera, mentre Iara giaceva sul suo letto, sentì i suoi fratelli entrare di nascosto nella sua tenda; essi avevano intenzione di ucciderla. Guerriera tenace, cercò di difendersi a tutti i costi, finendo, così, per ucciderli. Rendendosi conto della gravità della situazione e temendo la reazione del padre, fuggì disperatamente nei boschi. Suo padre la cercò incessantemente finché non la trovò. Come punizione per quello che aveva fatto, Iara fu gettata nel punto d’incontro dei fiumi Negro Solimões. Tuttavia i pesci portarono il suo corpo alla superficie dell’acqua che, sotto i raggi della luna piena, si trasformò in una bellissima sirena con i capelli lunghi e gli occhi verdi.

Da allora Iara rimase nelle acque seducendo irresistibilmente gli uomini e uccidendoli. Si ritiene che, ad ogni fase della luna, lei appaia adornata di squame diverse, distendendosi sui sassi dei fiumi per giocare con i pesci. Alcuni pescatori dicono di averla vista pettinare i suoi lunghi capelli dorati, mentre ammirava il suo riflesso sullo specchio d’acqua.

La leggenda di Iara è conosciuta in tante regioni del Brasile. Infatti, ci sono tante testimonianze di pescatori che raccontano storie di uomini che cederono al suo incantesimo e finirono per morire trascinati dall’incantesimo della seducente sirena.

Arrivederci e buona lettura

 

 

Fulano, Beltrano e Sicrano

Avete mai sentito i vocaboli Fulano, Beltrano e Sicrano? Vi vengono in menti dei termini simili nella lingua italiana? Avete risposto “Tizio, Caio e Sempronio”? Corretto! I suddetti termini sono pronomi di trattamento che indicano un soggetto sconosciuto. Queste forme, di origini diverse, servono a designare una persona la quale non si ha intenzione di nominare o il cui nome non si sa. Quando parliamo di una sola persona, usiamo “fulano” (fem. fulana). C’è anche il diminutivo adoperato in senso assai peggiorativo “fulaninho/a“.

fulano

                                           

O fulano chegou tarde na festa.

Usiamo gli altri dopo aver usato il primo.

Fulano e beltrano foram nomeados para o novo cargo.

oppure,

 Fulano, beltrano e sicrano chegaram atrasados à comemoração.

Il pronome “Fulano viene dall’arabo fulán e significa qualcuno (alguém), cioè un certo individuo. “Beltrano  proviene probabilmente da un nome proprio Beltrão, con terminazione –ano per fare rima con “Fulano. Secondo il  filologo João Ribeiro, si tratta di un nome usato nei romanzi cavallereschi per indicare una persona non definita. “Sicrano” ha origine incerta e forse proviene dal pronome “Fulano”. Riguardo all’ordine in cui usiamo tali pronomi di trattamento, secondo il grammatico Celso Luft, possiamo dire “fulano, sicrano e beltrano”. Secondo altri grammatici “fulano, beltrano e sicrano”.

Espressioni simili in altre lingue (Wikipedia):

* Пера, Жика и Мика (Pera, Žika i Mika) – Serbo
* Pierre, Paul ou Jacques — Francese
* Sulio i Pulio (Сульо и Пульо) – Bulgaro
* Hinz und Kunz –Tedesco
* Kreti und Pleti – Tedesco
* Hans und Franz –Tedesco
* Jan en Alleman – Jan, Piet & Klaas — Olandese
* Fulano, Zutano, Mengano y Perengano (usually the first three only) –Spagnolo
* Tizio, Caio e Sempronio – Italiano
* Gud og hvermann – Norvegese 
* Иванов, Петров, Сидоров (Ivanóv, Petróv, Sídorov), каждый встречный и поперечный (kázhdy vstréchny i poperéchny) – Russo
* Are, Oore, Shamsi Kooreh – Persiano
* Andersson, Pettersson och Lundström – Svedese 
* فلان وعلان (fulaan wa-`allaan), كل من هبّ ودبّ (kull man habba wa-dabba) – Arabo

Bons estudos e até breve!

 

Sentir saudades: che cosa significa esattamente?

Da quando ho iniziato a studiare lingue (adesso il tedesco!), ho sempre sentito dire che “saudade” figura tra i principali vocaboli al mondo ai quali è difficile trovare una traduzione perfetta e univoca. Secondo una votazione realizzata da un’agenzia di traduzione londinese anni fa, il suddetto vocabolo occuperebbe il 7° posto della lista.

saudade

(crediti: web)

Ma cosa significa esattamente “sentir saudades“? Secondo uno dei più famosi dizionari della lingua portoghese, Houaiss, “saudade” significa: sentimento più o meno malinconico di incompletezza, collegato dalla memoria a situazioni di privazione della presenza di qualcuno o qualcosa, di lontananza da un luogo o cosa, oppure all’assenza di certi piaceri e esperienze già vissuti e considerati, dalla persona che ne soffre, un bene desiderabile.
(traduzione libera)

Tuttavia questo sentimento sarebbe un’esclusiva dei parlanti di lingua portoghese? Credo proprio di no. In fin dei conti, i sentimenti sono universali. Anche se dicono che sia impossibile tradurre il vocabolo “saudade“, ciò non toglie che in tutte le lingue del mondo ne esistano tanti altri che denotano lo stesso sentimento. A dire il vero, il vocabolo “saudade” non appartiene soltanto alla lingua portoghese, deriva dal latino “solitatem”, per cui figura in altre lingue romaniche: soledad (spagnolo) e soledat (catalano), che denotano piuttosto la nostalgia di casa, voglia di ritornarci. L’originalità della lingua portoghese è stata l’estensione del termine a situazioni diverse dalla nostalgia appunto di casa. La “saudade“, in fondo, è l’espressione del dolore che, in un certo senso, ci fa piacere sentire, “um bem desejável“. Allora, perché dicono che sia impossibile tradurla? Forse il problema sia piuttosto collegato alla forma, alla traduzione stessa. In realtà, possiamo sentire la mancanza, cioè, “sentir saudades” di tante cose come:

1 – de alguém que amamos e está longe ou ausente; 
[di qualcuno che amiamo e che ci sta lontano o assente]
2 – de um amigo a quem queremos bem;
[di un amico al quale vogliamo bene]
3 – de alguém ou algo que não vemos há muito tempo;
[di qualcuno o qualcosa che non vediamo da tanto tempo]
4 – de lugares que visitamos ou moramos;
[di luoghi che abbiamo visitato o in cui abbiamo vissuto]
5 – de uma determinada comida;
[di un determinato tipo di mangiare – nel caso brasiliano “a feijoada!”]
6 – de situações vividas;
[di situazioni vissute]
7 – de um amor que se foi;
[di un amore finito]
8 – de alguém, amigo o parente, que tenha falecido.
[di qualcuno, amico o parente, che sia morto]

saudade 2

(crediti: Web)

Tante volte non ce ne rendiamo conto, ma nella nostra vita quotidiana usiamo spesso espressioni e modi di dire in cui figura il vocabolo “saudade“, come “morrer de saudade”, “deixar saudade” e “matar saudade”:

1 – Estou morrendo de saudades do Brasil;
2 – Os anos 80 deixaram saudade;
3 – Quando eu for ao Brasil, vou matar a saudade dos meus parentes e amigos.

L’espressione “matar saudade“, per esempio, è usata per indicare l’assenza (anche se temporanea) di questo sentimento. Matamos a saudade quando abbiamo la nostalgia di qualcosa, guardiamo vecchie foto, parliamo di un determinato argomento, rivediamo persone che erano lontane e così via. Nel sud di Portogallo, l’espressione “mandar saudades” significa mandare i saluti, felicitazioni a qualcuno.

Ascoltate una bella canzone di Marisa Monte chiamata “sintomas de saudade”, spero che vi piaccia.

Etimologialat. solìtas,átis ‘unidade, solidão, desamparo, retiro’; der. do lat. sólus,a,um ‘só, solitário’, que se conservou nas línguas hispânicas, esp. soledad, port. saudade, onde ocorrem ainda as formas sodade, com monotongação au > o, e soidade com alt. au > oi; ver 2sol(i)-; f.hist. sXIII soydade, sXV saudade, sXV soidade, sXV ssuydade (Houaiss)

Até breve e bons estudos!