Momento poético – Florbela Espanca

FLORBELA-ESPANCA-POEMAS

(créditos da imagem – Conti outra)

Olá, pessoal!

O nosso post de hoje é um pouco diferente do habitual, pois não falaremos de gramática, mas, sim, de poesia. Escolhemos uma das mais expressivas poetisas portuguesas do século passado chamada Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 – Matosinhos, 8 de dezembro de 1930), pseudónimo de Florbela d’Alma da Conceição Espanca. Florbela viveu uma vida plena mas breve, cheia de sofrimentos pessoais e íntimos, que ela soube, como ninguém, transformar em poesia de alto nível, permeada de erotização, feminilidade e panteísmo. Os seus temas preferidos eram a solidão, a tristeza, a morte, a saudade, a sedução e o desejo. A sua obra é vastíssima, pois a nossa poetisa não escreveu somente poemas, mas contos, um diário, epístolas. Dedicou-se, também, à tradução de vários romances, colaborando, ao logo de sua vida, com revistas e jornais. Contudo, Florbela era, antes de tudo, poetisa de versos em forma de sonetos.

Escolhemos para vocês alguns dos tantos poemas de Florbela Espanca. O primeiro, “Tédio” é interpretado por Mariza, uma das vozes mais expressivas do atual cenário musical português. Boa leitura!

Tédio
Passo pálida e triste. Oiço dizer
“Que branca que ela é! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer…

Que diga o mundo e a gente o que quiser!
-O que é que isso me faz?… o que me importa?…
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!

O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E é tudo sempre o mesmo, eternamente…
O mesmo lago plácido, dormente dias,
E os dias, sempre os mesmos, a correr…

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Desejos vãos 

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!

Mas o mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras… essas… pisá-as toda a gente!…
Florbela Espanca – Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não es sequer razão do meu viver,
Pois que tu es já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo , meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu es como Deus: Princípio e Fim!…”

Pequena Biografia

Em novembro de 1903, aos sete anos de idade, Florbela escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte». Ainda no mesmo ano, Florbela começa a escrever uma poesia sem título, o seu primeiro soneto.

Sofrendo de neurastenia, desde muito jovem, escreve em 1906 o seu primeiro conto, «Mamã!».

Numa festa do colégio, Florbela recita, pela primeira vez, versos seus em público. É no ano seguinte que Florbela inicia o seu caderno «Trocando Olhares».

Na sequência do seu divórcio e já debilitada pela sua doença, em 1919, Florbela publica o «Livro de Mágoas». No ano seguinte inicia «Claustro das Quimeras».

Em 1923, Florbela vê publicado o «Livro de Soror Saudade».

Em 1927 publica oito trabalhos seus, e prepara «O Dominó Preto». Após a morte do seu irmão assoberbada pela tristeza escreve «As Máscaras do Destino».

Em 1930, começa a escrever o seu «Diário do Último Ano» e publica «Charneca em Flor».

Depois de uma vida conturbada, a 8 de dezembro, dia do seu nascimento e do primeiro casamento, Florbela suicida-se.

Até breve e boa leitura!

Publicado por Claudia Lopes

Cláudia Valéria Lopes è nata a Rio de Janeiro, Brasile. Nel 2001 si laureò in Lingue straniere (portoghese e italiano) presso l’UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. È traduttrice e insegnante di portoghese e italiano. Ha vissuto in Italia per sette anni, periodo in cui ha potuto approfondire le sue conoscenze della lingua italiana e dare continuità ai suoi studi. Ha lavorato per due anni come lettrice di lingua portoghese (norma brasiliana ed europea) presso l’Università degli Studi di Bari. Dal 2009 vive in Svizzera, dove lavora nel campo dell’e-learning, traduttrice (le sue lingue di lavoro sono: portoghese, italiano, inglese e tedesco) e insegnante di portoghese e italiano. Claudia è amministratrice e redattrice del Blog, della pagina Facebook di Affresco della Lingua Italiana e del canale Youtube.

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